introspeção

Por vezes dedico-me a fazer exames de consciência, assim nas horas vagas, quando tenho pouco que fazer. Dá-me jeito quando vou a conduzir, sozinha e durante longas distâncias, como aconteceu hoje. Neste exame de consciência, solitariamente analisando alguns acontecimentos, situações, caminhos e opções de vida, cheguei à conclusão que, frequentemente na hora de tomar decisões, eu “penso com o coração e sinto com a razão“. É difícil de explicar, mas acho que quem sai a perder é o meu coração. Por muito que estrebuche e chore é o meu coração que perde. Quase sempre.

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confidências

 
– … lembras-te dele?
– Sim, lembro. Vocês viveram juntos uns meses, mas isso não correu mal?
– Sim, eu deixei-o.
– E então…?
– Há uns meses estava numa esplanada com um casal e com o meu ex-marido e ele apareceu-me à frente. Olha, assim do nada.
– E agora?
– Os miúdos já o conhecem. Já andamos…
– Já vivem juntos?
– Ainda não. Talvez lá para o Natal.
 
 …
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objetivos de vida

Há uns anos atrás, cerca de 10 anos, escrevinhei, nas costas de um envelope usado, catorze objetivos para a minha vida. Alguns, facilmente exequíveis, outros nem tanto assim e um ou outro mesmo do tipo impossível. Guardei o pedaço de papel numa caixa de madeira onde guardo alguns relógios que já não uso. Passados uns anos, numa das minhas arrumações encontrei o papel já varrido da minha memória. Reli com atenção os objetivos e com um marcador verde sublinhei todos os que já tinha atingido. Eram oito. Voltei a guardar o papel, nunca mais me lembrei dele. Esta semana, casualmente, encontrei o envelope rabiscado que não estava na caixa de madeira. Voltei a ler as frases curtas e rabiscadas à pressa. Faltam cinco objetivos. Não há nada a acrescentar naquela lista, não há nada que considere irrelevante. Aquele pedaço de papel continua a fazer sentido na minha vida e faz-me sempre sorrir.

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olá setembro

Mais uma noitada de trabalho. Quem manda ser perita em delongas? Agora aguenta coração. Setembro, “please be kind to me” ok?

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adeus agosto

Nunca foi o meu mês favorito. Tem a ver com o calor extremo que eu detesto e com a vaga de incêndios que sempre varre o meu país. Fico angustiada, triste, não gosto e dá-se-me sempre um aperto no coração quando olho o “meu” horizonte, tão rico e verdejante. Vivo numa zona densamente arborizada, de pinhais bravos e mansos, pequenas matas de castanheiros, de carvalhos, eucaliptos, olivais, muitos pomares, vinhas. Há caminhos que eu gosto de percorrer por entre árvores portentosas, talvez centenárias, muito altas e direitas. Gosto, no outono, de sentir o restolhar das folhas secas debaixo dos meus pés, gosto também do cheiro característico da humidade, quando chegam as primeiras chuvas. Há uma mistura de muitos aromas, das uvas maduras, do vinho nos lagares, dos pomares carregados de maçãs e peras, das abóboras enormes, inchadas, quase a rebentar. Gosto de ver os bandos de corvos, e os voos rasantes sobre a terra já lavrada, enquanto crocitam com estridência. Sinto até inveja do negro intenso e profundo das suas asas abertas. Quando as minhas cadelas eram vivas, deliciava-me com o prazer delas enquanto corriam felizes por esses caminhos que eram tão nossos e sempre tão prazerosos. É um património riquíssimo a que tenho acesso absolutamente gratuito. Adeus agosto, até agora foste um mês calmo e tranquilo, mas quero que te vás embora rápido. És um mês de falsas promessas, ladrão, perigoso, cansativo. Que venha setembro com as suas noites suaves, a tranquilidade da natureza e finalmente o recolher descansado e a paz de espírito.

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o melhor das férias

Não usar relógio. Não cumprir horários. Dormir até querer. Fazer o que me dá na real veia. Não me preocupar com roupa e sapatos para andar bem posta. Não ouvir, ver e aturar gente chata e maníacos do trabalho e da excelência (do tipo i’m the best e isto sem mim não era nada). Falar o menos possível, só quando quero e me apetece. Magicar e divertir-me com cenários e vernáculo vicentino, para usar enquanto bato com a porta na cara de alguns. Isso é que era, tivesse eu coragem para tal. Conheço quem tenha feito isso há uns três ou quatro meses atrás. Durante uma reunião, chateou-se com o patrão, pediu os papéis para a demissão da empresa onde trabalhava, assinou-os e bye, bye Zé. É de tê-los no sítio.

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aderi aos ebooks

3857[1]
Aspetos positivos: mais ecológico, mais simples e fácil no acesso, escolha e pagamento, melhor arrumação, além de outros. Aspetos menos positivos: não poder emprestar ou oferecer os livros, mais impessoal porque não tem cheiro, não tem “vida”, não os posso meter na carteira, uma vez que os guardo no pc de casa, não posso leva-los para a cama, ou sofá, e adormecer ou acordar com eles ali ao meu lado. Simplifica é certo, mas falta a parte física e emocional do objeto. Afinal de contas um livro é sempre um livro.

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