aconteceu

… em Maputo,  férias de 2008.

Tinha que estar no aeroporto às 15h e 15 m para apanhar um vôo charter (que saía às 16h) para a Inhaca, uma pequena ilha que fica a cerca de 40 kms de distância da capital. Eu cheguei com a minha mochila, mais a minha pontualidade, às 15h em ponto, sentei-me quase em frente do balcão da Transairways, que estava fechado e sem ninguém por perto. Nada de estranho. No pequeno quadro electrónico quase suspenso sobre a minha cabeça anunciavam o número do vôo, o destino e a partida para as 16h. Tudo certo. Eu feliz da vida porque ia voltar a um destino prazeroso, ia rever pessoas conhecidas e estar uns diazinhos sem nada  fazer. Só mesmo dormir e papo pró ar! O tempo foi passando. Eu juro, que não vi ninguém, por pertinho que fosse, junto daquele balcão para fazer o check in. Às 15h e 40m comecei a preocupar-me, mas estava tudo tranquilo, nem havia moscas para me distrairem! Faltavam 15 m para a partida, no pequeno quadro electrónico a hora do vôo e o destino piscavam com aquela palavra EMBARQUE! Eu andava furiosa de um lado para o outro do aeroporto, procurando alguém com um pequeno rasgo ou lampejo de boa vontade, que me informasse, me ajudasse a fazer um check in e a apanhar uma pequena avioneta cujos motores eu até já ouvia a trabalhar. Nada, nadinha, eu vivia um verdadeiro pesadelo. Mandavam-me daqui para ali e dali para a favinha, informações de jeito nada. Nem para mim olhavam e deviam pensar:

– “Mas que chata, olha esta agora aqui a chatear! Hoje é domingo e um gajo não está aqui para se preocupar com vôos charter“.

Enfim a indiferença completa e absoluta perante o meu desespero. Faltavam 5 minutos para as 16h, eu com o bilhete na mão discutia, vociferava com os seguranças que estavam sentados junto à porta da sala de embarque. Mandaram-me de volta para o balcão da Transairways, para fazer o check in. What!!!!??!??!??????! Eu não queria acreditar.

–  “Como é possível se faltam 2 minutos para a partida da avioneta!!?!??!?” – Clamava eu de bilhete na mão, os olhos furiosos, querendo acorda-los daquela lerdice que me estava a deixar fora dos limites da minha própria segurança pessoal.

Perante a passividade total, virei-lhes as costas e eis que uns passos mais à frente ouvi chamar:

– “Senhora… senhora!!!!!!“. – Lá vinha o funcionário da Transairways, aos gritos, furioso comigo: – “O seu bilhete? Onde esteve? Venha comigo!“.

– “Eu??? Eu estou aqui desde as 15h“. – (Discussão aos gritos no meio do aeroporto) – “Não me chame mentirosa, que eu não lhe admito!!!!!!” – Aaaaaaaiiiiiii que nervos, que ainda me vou a ele, juro que lhe bato! E estava capaz disso.

O homem agarrou-me pela mão, arrastou-me sem cerimónia, exigiu 10 dl, quase arrancou o selo das mãos da funcionária, colou o selo da taxa no bilhete , irrompeu pela sala de embarque, atirou com a minha mochila para uma passadeira rolante, eu passei por uns sensores, que começaram a apitar por todo o lado, [acordando os funcionários da lerdice pasmada] e depois corremos os dois pela sala de embarque. Atirou com o bilhete ao funcionário, corremos pela pista em direcção à pequena avioneta, que ainda tinha as portas abertas, mas com as ventoinhas e os motores a trabalhar em plena força. Atrás de mim eu ouvia os gritos dos funcionários, dos seguranças que também corriam atrás de nós:

–  “Senhora, vem cá! Senhora !!!!!!!!!! Para aí!!!!!!!!!

Eu ainda quis parar, mas o doido da Transairways corria mais, arrastando-me pela pista fora e ignorando por completo os gritos dos outros. Quando chegámos junto à pequena avioneta, ele, o maluco que me pôs a fugir em pleno aeroporto de Maputo, atirou comigo para dentro da avioneta enquanto gritava lá para dentro:

– “Fecha as portas“.

As portas fecharam-se (juro que não fui eu). A pequena avioneta, numa barulheira infernal, deslocou-se pela pista e levantou vôo sobre a cidade! Foi assim tal e qual. Não foi sonho nem pesadelo. É só a verdade!

Nota: Publicado no “falecido” bogue no dia 6 de fevereiro de 2010.
Anúncios

Sobre Juana

Esta é a minha vida, aquilo em que acredito. O mundo dá voltas, a vida passeia pelo fio dos dias e das horas e eu vou tentando manter o equilíbrio. Sempre na corda bamba.
Esta entrada foi publicada em dia a dia com as etiquetas , , . ligação permanente.

2 respostas a aconteceu

  1. Anónimo diz:

    Tendo em conta que me encontro no país que relatas, só tenho a dizer, que tiveste mesmo muita sorte em notarem que estavas a faltar!!!
    Inspira expira, é o meu metodo aqui!!!

  2. Juana diz:

    ainda hoje não percebi o que aconteceu, podia ter acontecido em qualquer outro lugar, mas já me ri muito à custa desta cena.

comentários

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s