os amores de verão

Burt Lancaster e Deborah Kerr no filme “A um passo da eternidade

 “Na linha do horizonte o dia anunciava-se com uma claridade muito ténue. Deixaram os sapatos e as sandálias na carrinha, caminharam cerca de quinze minutos, sempre em silêncio. Pararam junto às dunas e naturalmente ele começou a tirar a roupa. Sentada na areia, observou os movimentos calmos, que iam descobrindo o corpo moreno. Perante o seu olhar, ele expôs a sua nudez, depois virando-lhe as costas, caminhou em passos largos entrando pelo mar dentro. Ela não se surpreendeu com a atitude, mas sentia-se perturbada com a visão que lhe oferecera do seu corpo de homem adulto. Tão diferente das memórias que tinha do corpo do jovem adolescente que fora seu namorado. Passados alguns minutos, num impulso, tirou também a roupa. Encaminhou-se até ao mar e entrando devagar nas águas límpidas, nadou  ao longo da praia. Tinham passado dezasseis anos desde o último encontro. Há algumas horas atrás, a vida, generosa, permitira o reencontro, tão inesperado como oportuno, na vida dos dois. Dentro de água abraçaram-se, tocaram no rosto um do outro, os olhares próximos, estudando minuciosamente cada traço e cada linha que os dedos iam percorrendo e redescobrindo. Deixaram-se levar pela ondulação ligeira, até ficarem deitados na areia lado a lado, olhando a água do mar que em ondas suaves ora cobria, ora destapava os dois corpos. O dia amanhecera. Debruçou-se sobre o corpo molhado dela. Tinha o olhar semi cerrado, o rosto sereno, os seios de mulher adulta emergiam da água do mar, os braços ao longo do corpo pareciam flutuar ao sabor das ondas, as pernas estavam ligeiramente fletidas. Com um breve sorriso ela fixou o olhar no dele. O sorriso e a cor dourada dos olhos permaneciam iguais. Ele mergulhou mais uma vez no mar. Pouco depois sentada na areia, observou o corpo do homem, que saía do mar caminhando até si. Ele estendeu-lhe as mãos, juntos voltaram para as dunas e, lado a lado, vestiram-se sem pressa. De mãos dadas, em silêncio, caminharam ao longo da praia. Iria ser outro dia de calor infernal.” Juana

Nota: o primeiro grande amor aconteceu no verão.
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Sobre Juana

Esta é a minha vida, aquilo em que acredito. O mundo dá voltas, a vida passeia pelo fio dos dias e das horas e eu vou tentando manter o equilíbrio. Sempre na corda bamba.
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